Archive

Posts Tagged ‘Sonic’

(Review – PC) Sonic Time Twisted

21 de abril de 2017 Deixe um comentário

Por volta dos anos 2000 os fãs de Sonic começaram a entender bem a matemática por trás da física característica da série e a implementar isso em seus fan games. O problema é que as expectativas e ambições saíram das orbitas e quase ninguém tinha o tempo e foco necessários para fazer como hobby um jogo que rivalizasse com a trilogia do Mega Drive.

O Sonic Time Twisted veio dessa época, desenvolvido no Game Maker por um sujeito conhecido como Overbound. É inspirado em Sonic CD e graças ao empenho dele e algumas reformulações com o passar dos anos o jogo parecia mesmo um passo a frente daquele jogo que hoje em dia divide opiniões.

A princípio, ao abrir o jogo eu noto que o Game Maker continua sendo um inimigo cruel para mim, levando cerca de 10 minutos para rodar o programa e congelando o resto da máquina no processo. Tem jogos de Game Maker que nem rodam aqui por incompatibilidades gráficas, e o meu notebook atual nem é tão ruim… Por coisas assim é que sempre preferi o Multimedia Fusion como a opção “menos pior” pra quem não entende de programação convencional.

Só pra contrariar, o jogo começa com a fase de pinball.


Mas felizmente depois de abrir o jogo roda bem, wide screen e sem queda de quadros. Como eu sou ignorante em Game Maker não sei que engine o jogo usa mas a jogabilidade é competente. Tem Sonic, Tails e o Knuckles jogáveis e todos funcionam do mesmo jeito que em Sonic 3. Incrível como qualquer engine de fã hoje em dia é mais fiel ao Sonic do que os trabalhos da Sonic Team, não?

Time Twisted é uma espécie de continuação do Sonic CD, e uma das mecânicas principais daquele jogo era viajar entre 3 diferentes versões de cada fase em busca de certos items especiais. Para isso você tinha que procurar placas de viagem no tempo e correr sem parar por vários segundos até a mágica surtir efeito. O problema: o level design era vertical e fechado, mais propício a platforming do que correria despreocupada. Especialmente a Wacky Workbench, cujo primeiro ato era 100% percurso de obstáculos e que todo mundo menos eu odeia.

Era preciso abusar de conjuntos de molas e certas bugigangas para viajar no tempo, o que não era tão satisfatório. E como só era preciso visitar o passado de cada fase para terminar o jogo com o final bom, o futuro era apenas uma distração. Ainda por cima, tudo isso era opcional no fim das contas, já que tentando agradar a gregos e troianos o Sonic CD também deixava alcançar o final bom mais rápido ao completar os 7 estágios especiais.

O que o Time Twisted faz a respeito é simplificar tudo. Há só o futuro e o passado de cada fase para explorar e para viajar no tempo basta passar correndo por uma placa temporal. Além disto ser prático (e sem loading!), os warps em locais fixos significam que o projetista não precisa se preocupar com o jogador surgindo no meio de paredes e outros locais indesejáveis. Por isso o level design pode ser drasticamente diferente entre as duas versões de cada fase, com obstáculos e inimigos únicos. Uma das zonas que melhor aproveita isso é a Drifting Dynamo, que é um deserto no passado e 3/4 fortaleza voadora no futuro.

As fases são mais soltas que as do Sonic CD, com curvas e loopings mais frequentes. Teve até uma ou duas em que as rotas praticamente me cuspiram até o final sem eu mal ter feito nada. Por outro lado, algumas fases passam uma maior sensação de labirinto do que as do Sonic CD. …E eu nem concordo tanto com essa reputação que o CD tem mas deixa pra lá. Também há vários inimigos aqui e ali, por vezes em situações um tanto injustas mas nada que cause muita frustração. Time Twisted não muda o fato de que Sonic é em geral um platformer fácil e aqui não é necessário juntar 50 anéis pras fases bônus mesmo.

A única forma de alcançar o chefe secreto e o final bom é procurando por portais para as fases bônus. E são catorze delas, já que tanto as Pedras do Tempo quanto as Esmeraldas do Caos estão presentes. Vale lembrar que os portais costumam estar escondidos próximos aos locais em que as placas temporais nos mandam. Claramente é uma forma de forçar o jogador a viajar constantemente entre as duas épocas.

As fases bônus 3D tem os mesmos controles das do Sonic CD, mas são corridas contra o Metal Sonic num percurso de obstáculos. Obviamente é preciso evitar cair fora da pista, e se tomar pancada de alguma coisa mais de uma vez já era também. O bom é que o jogo é generoso e permite gastar vidas para tentar novamente. Com um pouco de prática esses bônus acabam ficando bem fáceis, pois há vários atalhos e curvas fechadas também são convites para pular por cima e cortar caminho enquanto o Metal Sonic é forçado ao trajeto mais longo apesar de poder voar.

Falando no Metal Sonic, ele é o vilão principal e um chefe recorrente durante a aventura. Os chefes acabam sendo a parte mais medíocre do jogo, geralmente usando personagens enormes e efeitos espalhafatosos para disfarçar o fato que as batalhas são simples e repetitivas. O primeiro combate com o Metal Sonic, logo após o primeiro ato da primeira fase, acaba se saindo uma péssima primeira impressão.

Vejam só, o Metal Sonic está simplesmente flutuando ali e atirando lasers… mas a fase é daquelas que se move adiante automaticamente e o Sonic está correndo pra baixo. Por efeito da física característica da série, chega a ser surpreendentemente irritante acertar a posição e velocidade necessários para golpear o Metal sem a rampa forçar o Sonic a pular num ângulo errado e sem tomar um laser na cara! É que nem no Sonic Advance 2, quando aquelas descidinhas no terreno durante os chefes apareciam num mal momento e nos faziam errar o salto. O pior é que esse chefe está no jogo há vários anos e todo mundo reclamava após jogar as demos mas o cara deixou assim mesmo. As vidas são infinitas durante a luta, mas isso não é o mesmo que admitir que a ideia não presta?

Ah sim, o enredo trata dos planos do Metal Sonic para usar tecnologia alienígena e ressuscitar o Dr. Robotnik, que nesta versão da história foi morto no final de Sonic 3 & Knuckles. E sim, eu disse Robotnik, mesmo. Falo em spoilers aqui, mas a “grande sacada” do jogo é que ele é secretamente baseado nas séries ocidentais do Sonic, especialmente os quadrinhos britânicos em que o caricato Dr. Eggman é retratado como o tirano canalha, insano e genocida chamado Dr. Ivo Robotnik. Por isso o Time Twisted acaba de uma forma especialmente absurda, com um uso praticamente cômico de violência explicita. É algo bem digno de fangame e animação em flash de Sonic dos anos 2000 mesmo. Pelo menos o Super Sonic não é uma dupla personalidade sádica aqui…

RISE FROM YOUR GRAVE!


Em questão de gráficos, o jogo acertou em cheio a estética do Sonic CD e tá tudo bem bonito. Alguns gráficos são copiados da trilogia do Mega Drive, mas são misturados tão bem com os originais que dá pra relevar. As cutscenes, por outro lado, misturam pixel art boa com personagens tão simplórios que alguns jogadores que vi por aí compararam com rabiscos de MS Paint. A trilha sonora é original, com melodias grudentas compostas ou remixadas por um fulano conhecido como Hinchy.

A espera valeu a pena. Sonic Time Twisted é um fangame que consegue juntar elementos do Sonic CD e do Sonic 3 com sucesso na maioria dos casos e até consegue melhorar detalhes em que eles falharam. Há alguns bugs e problemas que devem ser corrigidos, mas o jogo ficou divertido e tem alto fator replay. Especialmente se vocês não precisarem esperar de 10 a 15 minutos toda vez que abrirem o programa.

O jogo pode ser baixado neste site:
http://overboundstudio.com/index.php?action=game_page&id=1

(Devlog – Project Spikepig)

18 de abril de 2017 2 comentários


Meio que terminei uma zona nova em que estive trabalhando desde o final do mês passado. Falta ampliar o background, montar chefes e consertar um detalhe ou outro, e talvez eu deva alongar os atos 1 e 3 um pouco, mas tá funcionando.

Lançamento de Sonic Time Twisted marcado para dia 19/04

15 de abril de 2017 2 comentários


O Sonic Time Twisted é um fangame que tem sido produzido pelo Overbound faz uns 10 anos, passando por diversas versões até chegar numa forma definitiva. Partindo do conceito de que o Dr. Eggman morreu no final de Sonic 3 & Knuckles, o jogo conta como o Metal Sonic pretende usar tecnologia alienígena, as Pedras do Tempo e as Esmeraldas do Caos para ressuscitar o mestre. O jogo busca melhorar as mecânicas de viagem no tempo do Sonic CD: o processo ocorre instantaneamente ao passar por uma placa de viagem no tempo e cada fase tem apenas duas versões ao invés de 3. O jogo parece focar completamente em exploração para quem quiser alcançar o final verdadeiro, com um total de 14 fases especiais divididas entre o passado e o futuro. E a trilha sonora será original, com faixas por Zach Hinchy, LARKSS, Andy Tunstall e ExShade.

Poderemos ver como o Sonic Time Twisted ficou semana que vem no dia 19. Deverá ser mais um bom aperitivo até o lançamento do Sonic Mania.

(Review – PC) Spark The Electric Jester

13 de abril de 2017 Deixe um comentário

Spark The Electric Jester, o Sonic brasileiro (descontando o Brasonic, cuja continuação nunca saiu do papel, o Guimo, que tá mais pra Contra e também o coelho Surge do Open Surge), foi lançado na Steam no último dia 10 após alguns atrasos. Agora, se vocês acham que só porque o jogo é nacional e baseado no meu personagem favorito eu vou bajular ele e pedir pra vocês comprarem e deixarem o LakeFeperd rico, fiquem sabendo que sou pautado na lógica, fundamentado na razão e tratarei Spark com a mais completa imparcialidade.

Há alguns anos o Felipe Ribeiro Daneluz, conhecido como LakeFeperd, montou uma trilogia de fangames do Sonic (Before/After the Sequel e Chrono Adventure) que fez um bocado de sucesso em tempos de falta de jogos oficiais bons do ouriço azulão. Eles tinham lá os seus defeitos e bugs e não agradavam a todos (e que jogo do Sonic consegue isso?), mas eram divertidos e com exceção do Chrono Adventure tinham belas trilhas sonoras originais compostas por uma turminha do barulho. Até o Jun Senoue curtiu! Esses fangames já davam uma ideia da direção que o Lake tomaria num projeto original e logo veio o anúncio deste carinha amarelo com gorro de bobo-da-corte. Em 2015 foi feita uma campanha de Kickstarter para contratar formalmente a equipe para as músicas e aqui estamos 2 anos depois.

Como o Freedom Planet, o jogo foi feito na engine comunitária Sonic Worlds — versão Delta, suponho (edit: na verdade é o mesmo Beta 0.5 de sempre, não que faça tanta diferença), para o Clickteam Fusion 2.5 e portanto a jogabilidade é praticamente igual a que nos acostumamos no Mega Drive. O Spark é ágil e a inclinação do chão afeta o arco dos pulos. O diferencial é que é preciso dar arrancadas e saltar entre paredes que nem em Mega Man X. Algo legal, e que o jogo não ensina de propósito no primeiro tutorial, é que a arrancada pode até atravessar ataques se usada corretamente. Há também combate com mecânicas baseadas nas de Kirby Super Star: você pode manter duas entre várias armas e cada uma tem diversos ataques e opções de mobilidade interessantes. Com o poder do vento, por exemplo, Spark pode se impulsionar repetidamente no ar e planar para alcançar qualquer lugar. Já com a lança de cavaleiro ele recebe um escudo toda vez que preenche a barra de especial.

O jogo é de plataforma e jogos deste gênero, especialmente este em que qualquer semelhança com Sonic é mera coincidência, dependem da variedade e criatividade do design das fases. Em geral o jogo flui legal, mantendo certo equilíbrio entre a velocidade descerebrada por dezenas de segundos que os fãs modernos do Sonic tanto gostam e a superação calculada de obstáculos e inimigos que eles tanto odeiam. As fases tendem a ser gigantes como as do Freedom Planet eram, com as finais tendendo a ter uns dois ou três atos de 5 ou mais minutos cada e dois chefes, mas não chegam a ser repetitivas. Minhas fases favoritas foram as duas últimas, onde o jogo perde o medo de desafiar o jogador e se torna frenético, infestado de inimigos e obstáculos.

Há um total de 16 fases e a aventura deve durar cerca de uma hora e meia até três horas, mas há também uma segunda campanha com um personagem com habilidades um tanto diferentes das do Spark. Ele não pode atravessar ataques com o dash, mas pode bloqueá-los com certa facilidade. Cada bloqueio enche a barra de especial, que perto da metade permite que você recupere HP e se torne invencível por alguns segundos. É demorado, mas also super pode acontecer se você preencher toda a barra com este personagem. Para ajudar a manter as coisas interessantes, as fases sofrem alterações e novos chefes aparecem durante a história.

Ah sim, falando em história, o enredo do jogo é bem raso. O Spark tá mal-humorado por estar desempregado e robôs estão tocando o caos na cidade, e só. As cutscenes são ocasionais e breves, e não há situações exageradamente melodramáticas e sombrias. Em questão de gráficos, a pixel art é bem detalhada, com direito a chefes enormes e belos fundos de cenário com uso de parallax. A trilha sonora traz mais boas composições do mesmo pessoal do Sonic Before/After the Sequel, boas de ouvir tanto no jogo quanto fora dele.

Concluindo, o jogo mostra como a habilidade do LakeFeperd melhorou com cada projeto e seja derivado de Sonic ou não, certamente vale a pena tanto pelo gameplay quanto pelas músicas. É de estufar o peito de orgulho que jogos brasileiros dessa qualidade estejam sendo lançados regularmente hoje em dia. Agora comprem e deixem o LakeFeperd rico. Oops.

HedgePhysics – Engine 3D de Sonic no Unity

13 de novembro de 2016 Deixe um comentário


Eu não manjo muito da área 3D da cena fangamer do Sonic, mas de uns tempos pra cá tenho ouvido que trabalhar com as engines mais conhecidas para Blitz 3D e Unreal Engine tem várias desvantagens como a dificuldade de programação ou o desepenho e tamanho dos programas. O Unity era uma das plataformas de desenvolvimento ainda sem uma engine 3D robusta para se meter a montar jogos do Sonic, mas isso mudou agora que o criador do Sonic Before The Sequel, LakeFeperd, montou a HedgePhysics, uma engine código aberto com a jogabilidade do Sonic, mas que também pode ser usada para propósitos gerais, claro. A versão atual é 0.5, com algumas melhorias a caminho.

Tópico na Sonic Retro:
http://forums.sonicretro.org/index.php?showtopic=36171