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(Review – GBA) Car Battler Joe


Uma coisa engraçada do primeiro ano do Game Boy Advance é que saíram ao menos dois jogos de corrida na onda do Mario Kart e pouca gente deu atenção apesar da qualidade deles. Um deles foi um tal de Car Battler Joe que foi lançado no Japão em Novembro de 2001 mas que só saiu nos EUA quase um ano depois. O jogo foi desenvolvido pela Ancient, a companhia responsável pelo Beyond Oasis do Mega Drive. Ouvi falar dele pela primeira vez numa wiki de recomendações do fórum /v/ da 4chan(nel), mas só joguei pra valer recentemente.

Car Battler Joe se passa num deserto de infindáveis batalhas do pós-apocalipse, onde tudo gira em torno de mercenários e gangues que pilotam carros turbinados vindos de uma civilização extinta. O protagonista é um rapaz de 16 anos chamado Joe que deve procurar pelo pai desaparecido enquanto faz entregas entre as cidades e participa de torneios.

A jogabilidade traz corridas num campo 3D projetado pelo saudoso efeito Mode 7. O botão A acelera e o botão R dá tiro, sendo que é possível equipar diversas armas que são ativadas dependendo da distância entre Joe e o inimigo. Já o botão B não freia, ele ativa movimentos de defesa como saltar, girar o carro ou bloquear tiros com um breve escudo. Esses efeitos não aparecem nas lojas, e devem ser pegos após destruir certos inimigos.

O jogo se gaba de ter uns três milhões de combinações possíveis entre as armas e os carros disponíveis, mas pra mim o singelo Panther inicial com seus três espaços para armas me serviu direitinho até o fim da aventura. O problema é que pra montar um carro são necessárias três partes da mesma classe animal. Enquanto explorava as fases eu só encontrava peças de classes diferentes. Quando o jogo enfim me deu um carro completo de bandeja já era 2/3 da aventura e eu não me importava mais.

Há mais tentativas de complexidade com o sistema de armas e personalização dos carros. Ataques são divididos em três elementos e o jogo alega que as três peças de cada carro rendem melhor velocidade, direção e defesa em níveis específicos. O problema é que a lojinha onde aumentamos ou diminuímos o nível das peças não permite acompanhar direito como esse sistema funciona. E no fim das contas nada disso importa, pois os inimigos raramente representam perigo e é possível derrotar quase todo mundo só mirando com o carro parado. Será que em multiplayer o combate é mais acirrado?

O jogo conta com sidequests infinitas de combate, corrida e exploração, o que entre seus outros aspectos me parece bem ambicioso e inovador para um jogo portátil de 2001. Também aparecem cidades em construção que precisam de diversos materiais disponíveis em certas lojas, mas ajudar elas só rende items insignificantes e elas parecem nem crescer de forma realmente vistosa mesmo após dez sessões de entregas. Chega a ser chato ter de ir pra lá e pra cá bancando o entregador para elas mesmo podendo pular viagens já conhecidas pelo menu.

Outra coisa ruim é o enredo bem mal amarrado. O lance da civilização antiga é quase irrelevante aos eventos e pelo menos metade da aventura parece um filler de anime, pois conhecemos personagens secundários e vilões que parecem ser importantes mas somem pelo resto da história. Grande parte do jogo é completar sidequests genéricas ao acaso até que de repente alguma coisa acontece. De fato, em pelo menos duas ocasiões perde-se o rumo e não dá pra saber como continuar a história sem dar voltas à toa por todos os locais e conversando com todos os personagens. Até mesmo no “pós-jogo”, quando um novo torneio tem início após a destruição dos vilões, eu só fico terminando missão após missão sem nenhum sinal de que as preliminares vão acabar e dar início a algo como batalhas contra chefes secretos.

No geral Car Battle Joe se sai um bom jogo de carrinho para o portátil da Nintendo. Uma dessas pérolas obscuras cheias tanto de idéias interessantes quanto outras mal exploradas. Fica aqui a recomendação para passar o tempo com o emulador rodando no celular.

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