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(Review – Neo Geo Pocket) Ganbare Neo Poke-kun


Tenho (re)jogado alguns jogos do Neo Geo Pocket recentemente. O portátil foi a tentativa da SNK de rivalizar com o Game Boy, mas foi lançado em preto em branco com uma mísera dúzia de jogos quando a Nintendo já tinha o Game Boy Color. A versão em cores veio um ano depois e rendeu bons jogos como ports das séries de luta da SNK que não perderam nada em questão de jogabilidade por conta do direcional que usava micro interruptores e funcionava com grande precisão. Mas o título principal do Neo Geo Pocket Color, com mascote e tudo, não era um The King of Fighters, e sim um tal de Ganbare Neo Poke-kun.

Ao rodar o jogo somos apresentados a um carinha inseto chamado Neo Poke que está de bobeira em seu pequeno estúdio. O jogo é uma espécie de bichinho virtual, mas há poucas formas de interagir com o personagem. Ao apertar A a campainha toca e um personagem aleatório aparece na porta dimensional. A princípio esses personagens entram e saem ou atravessam a sala ignorando o Neo Poke, mas após certo número de aparições eles interagem com o protagonista de alguma forma cômica e na maior parte das vezes o deixam confuso ou assustado: pode aparecer um cara de sunga fazendo truques obscenos com o cabelo, um bêbado que larga o cachorro com o Poke, um sujeito parecido com o Rugal que cumprimenta o Poke apalpando o rosto e o saco dele…

O direcional ativa animações na sala que não tem efeito algum no Neo Poke, mas se girar o d-pad algumas vezes alguma coisa cai na cabeça dele ou algum desastre destrói o quarto e o deixa num estado miserável. Tudo volta ao normal após uma breve transição, mas se repetir isso várias vezes o Neo Poke fica deprimido e vai embora por alguns segundos. Isso deve ser evitado pois o personagem precisa estar contente para termos progresso no outro aspecto principal do jogo: o Neo Poke é um desenvolvedor de videogames e de vez em quando sai com capacete e martelo para programar uma série de 30 joguinhos.

Vários desses minigames são paródias de arcades dos anos 80 e títulos clássicos do NES. Começam bem simples com clones de Pong e vão evoluindo… um pouco… a cada cinco joguinhos. Eu passei o jogo com a expectativa de que lá pro final haveria algum minigame mais robusto, mas poucos deles podem ser considerados assim. Vários tem o mesmo repetitivo tema de se esquivar de obstáculos numa tela estática e alguns são até sofríveis de se jogar. O mais legalzinho que me vem a cabeça agora é uma paródia de Dragon Quest em que devemos explorar três andares de calabouço no escuro. Cada quadrinho revelado custa 1 HP e as batalhas são decididas rolando dados.

Destravar todos os minigames é um bocado tedioso, pois apesar do alto número de animações dadas ao Neo Poke e das várias esquetes que podem ser vistas durante o passar do dia elas ainda não são o bastante e já começam a ficar repetitivas na metade do jogo. Os créditos até começam a passar aleatoriamente nesse mesmo ponto, acreditam? O pior é que tem um punhado de personagens com uma esquete só.

Deixar o Poke contente para destravar joguinhos rápido também é questão de sorte já que a maioria dos personagens sacaneia ele. Quando há minigames em 90% de desenvolvimento, parece possível forçar a barra entrando e saindo do menu de minigames, mas às vezes isso desanima o Neo Poke e a cutscene que toca é a dele indo embora com uma trouxa sobre o ombro. Também tem vezes que a cena dele trabalhando aparece e nada acontece.

Ganbare Neo Poke-kun é um joguinho carismático que vale pela curiosidade, em pequenas doses e sem esperar grandes coisas das empreitadas indie do Neo Poke. Como só foi lançado no Japão e a emulação de Neo Geo Pocket está estagnada desde 2003, o jogo é pouco comentado na internet e roda com falhas de emulação. A função de salvar o progresso quebrou na metade da lista de minigames e me forçou a usar save states que não são compatíveis entre o NGP.emu e o NeoPop… até eu perceber que era só apagar o save, carregar um save state e salvar isso pelo menu do jogo pra voltar ao normal. O cúmulo é que eu tenho certeza que o minigame final é injogável em emuladores.

Cliquem no “Leia mais” para ver descrições e imagens para cada minigame. Praticamente a única fonte ocidental de informação sobre isso em mais de 10 anos foi um detonado incompleto na Gamefaqs que só tem metade da lista, então não sei os nomes dos jogos na segunda metade.



1-1: Shot
Pong de um jogador. A bolinha quica pelo cenário e devemos rebatê-la no bastão.

1-2: Escape
Pong de novo, mas desta vez jogamos com uma cruz enquanto desviamos de duas bolinhas.

1-3: Crossing
Três barreiras se movem pela tela em velocidades aleatórias. O objetivo e lançar a nave e controlar a velocidade para chegar ao topo sem bater nas barreiras. Claro que fica mais fácil fazer isso nos cantos da tela.

1-4: Block Escape
Um Breakout em que os blocos caem ao serem atingidos pela bolinha e devem ser evitados, mas ao contrário do Escape dá pra rebater a bolinha à vontade. Cada minigame tem um objetivo inicial que deve ser vencido e três adicionais que valem um entre três símbolos adicionais na lista de minigames. Neste caso a meta inicial é 150 pontos e a final é 999.

1-5: Astro Rescue
Desvie dos asteroides vermelhos mas pegue os demais objetos que aparecerem para ganhar pontos. O primeiro minigame que tem um fim.

2-1: Sakurajima Panic
O Neo Poke deve desviar de uma erupção vulcânica até o tempo acabar.

2-2: Sasuke in OSAKA
Joguinho de ação numa tela estática. Acerte os ninjas sem errar ataques para ganhar mais pontos.

2-3: Yusaku Challenge
Continuação do jogo anterior. A tela se move automaticamente e devemos desviar de veículos enquanto atacamos gangsters. É o primeiro minigame com um chefe no fim.

2-4: S-M-D
Um clone de Galaga, exceto que a navinha é controlada pelo computador e devemos apenas afastar o Neo Poke de perigos até todos os alienígenas serem mortos.

2-5: Crazy Fall
Um minigame de paraquedismo. Preste atenção no radar para evitar obstáculos e não se esqueça de soltar o paraquedas logo antes de pousar. Se bater em algo é preciso repetir a fase toda, o que significa que as três vidas que o jogo dá servem pra nada.

3-1: Rocketman SOS
O oposto de jogo anterior. O Neo Poke deve subir com seu jetpack por uma caverna e desviar de bombas. Este minigame também reseta se você morrer e é o primeiro com uma telinha de final única.

3-2: Mogeler
Uma espécie de Campo Minado em que devemos mover a furadeira até a joia sem bater nas bombas. É preciso verificar a localização de 9 bombas relativas a furadeira separadamente, o que incomoda um pouco. E olha que a meta para o ícone de pinheiro é terminar as 10 fases em 15 segundos. No entanto, se der sorte a joia pode aparecer várias vezes bem ao lado da furadeira.

3-3: Space Hero
Um jogo de navinha. O Neo Poke pode ser movido em 8 direções e deve matar 50 alienígenas para encerrar a partida.

3-4: Space Destroyer
Paródia daquele arcade de Star Wars com gráficos vetoriais lançado em 1983. O jogo começa como um shmup que pode ser encerrado facilmente ao ficar parado frente a frente com os inimigos só dando tiro. Após destruir 25 deles há uma segunda fase onde o Neo Poke deve saltar sobre inimigos enquanto corre por um corredor. Há uma animação de game over única nessa parte.

3-5: Genesis Crisis
Uma paródia de Xevious em que devemos lançar maçãs para o Neo Poke comer enquanto 4 torretas lançam bombas que explodem e soltam projéteis nas diagonais. É bem difícil, pois se parar para desviar da bombas a barra de fome do Neo Poke começa a esvaziar.

4-1:
Paródia de Kung Fu Master/Spartan X em que mesmo amarrado o Neo Poke deve chutar longe os inimigos que tentam agarrá-lo. A chefe do minigame é uma mulher amarrada à uma cadeira que tenta saltar e morder o Neo Poke. É preciso chutá-la no momento certo para causar dano, senão o golpe falha. Essa situação é baseada num rumor entre jogadores japoneses que dizia que a donzela em perigo no Kung Fu Master era uma chefe ultra secreta.

4-2:
Este aqui é inspirado em Bomberman, só que devemos proteger 12 carinhas das explosões do vilão jogando o Neo Poke em cima das bombas. O engraçado é que dificilmente o bandido mata todos os 12 carinhas mesmo que você passe o jogo sem fazer nada.

4-3:
Este jogo abre com uma tela de seleção de personagens com vários carinhas e atributos detalhados para eles, e aí você pensa que agora sim vai ser algo interessante… mas é só um jogo de bolinha de gude.

4-4:
Um shmup sem tiroteio. Pegue os objetos indicados na tela para ganhar pontos e não se preocupe com a ordem deles.

4-5:
Outro jogo de ação numa tela estática que no caso é um Ghosts ‘n Goblins no Japão feudal. Com 3 vidas e 2 HP para cada uma, devemos sobreviver por 99 segundos.

5-1: D&DQ
Uma paródia de Dragon Quest em que devemos explorar três andares de calabouço no escuro. Cada quadrinho revelado custa 1 HP e as batalhas são decididas rolando dados. É o primeiro minigame com uma tela título.

5-2:
Um minigame de baseball, só que não. É outro miserável minigame de desviar de obstáculos numa tela estática!

5-3:
Seis caras pelados estão brigando numa casa de banho e o Neo Poke deve separá-los, pois é game over se qualquer um deles for nocauteado. Este é um dos minigames que ainda não consegui vencer.

5-4: Dragon & Tiger
Este é um mini jogo de luta, mas, que raios? A única forma de atacar o inimigo é esperar ele saltar, responder a voadora com outra voadora e metralhar o botão A… mas não importa o que eu faça, não importa como eu posicione o personagem ou aperte A, eu sempre tomo mais dano que o computador. Mas como é tão pouco dano por salto e como devemos esperar vários segundos entre cada pulo, o tempo sempre acaba e resulta num empate independentemente de quem tem mais vida sobrando. E empate dá game over, então vencer este jogo é impossível!

5-5:
Um puzzle estilo Tetris em que grupos de blocos caem e devemos apagá-los com o cursor. Blocos de mesma cor que estejam juntos podem ser removidos com um só tiro e valem mais pontos.

6-1:
Um minigame de máquina de garra com participação de personagens da SNK como o Kyo, o Terry e a Nakoruru. Temos 4 tentativas para capturar 8 personagens, então é preciso tentar arrastar vários de uma vez quando possível.

6-2:
Uma paródia de Fatal Fury com o Neo Poke fazendo cosplay de Terry e Andy. Os controles são bons, mas cada personagem tem um golpe só. O que eu estava esperando?

6-3:
Um jogo de pedra-tesoura-papel com temática de dating sim. Além de vencer a mina em pedra-tesoura-papel é preciso adivinhar a direção em que ela vai olhar em seguida. Eu venci mais de 30 vezes abusando de save states E AINDA NÃO FOI O SUFICIENTE!

6-4:
Um minigame de ritmo em que devemos girar o direcional para ganhar pontos. Sim, a tela é virada de lado assim mesmo.

6-5: V-OFF
O último minigame é um rail shooter com finalmente um acabamento melhor do que praticamente todos os outros juntos, mas vejam só, tenho certeza que ele é injogável por causa de falha nos emuladores! O objetivo é atirar no inimigo enquanto ele se esquiva e bloquear seus ataques no turno dele, mas os controles simplesmente não funcionam em 99% das vezes por nenhum motivo aparente!!

  1. 29 de setembro de 2017 às 5:26 PM

    Tentei jogar faz tempo. Um jogo confuso até mesmo para japoneses. Imagine para um latino de cabelo branco usuário de emuladores como eu. Quase impraticável. Mas a arte e situações cômicas em geral são interessantes.

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