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(Review – SNES) JoJo’s Bizarre Adventure

A adaptação animada da saga Battle Tendency do mangá JoJo’s Bizarre Adventure acabou recentemente com um teaser da popular terceira parte da história, Stardust Crusaders. Durante os anos 90 a aventura de Jotaro foi adaptada para uma série de OVAs e o bom jogo de luta da Capcom onde Dio Brando popularizou a ideia de esmagar pessoas com tratores de rolo compressor.
JoJoTitle
Menos conhecido é o RPG para Super Famicom lançado em 1993 pela Winkysoft, que criou a série Super Robot Wars. Desde Outubro do ano passado o grupo Aeon Genesis tem trabalhado numa tradução para a rom do jogo e esse patch foi lançado neste mês.

Em Stardust Crusaders, Joseph Joestar viaja ao Japão para informar seu neto Jotaro Kujo sobre o ressurgimento do maligno vampiro Dio Brando e as habilidades psíquicas chamadas Stands. Quando a influência de Dio faz uma stand surgir na mãe do Jotaro como uma doença fatal, eles começam uma viagem até o Egito para deter Dio e seus inúmeros assassinos.

No jogo, vários eventos do enredo ocorrem numa ordem diferente do original e com compressões. Cenas icônicas como a partida de Pôquer entre Jotaro e D’Arby ou o Polnareff tentando subir escadas são representadas de forma bem chateante aqui. E todos os 6 heróis da história sobrevivem até o final.
JJBAPrologue
Personagens:
JotaroJotaro Kujo – Num contraste com seus ancestrais, Jotaro é estóico e grosseiro. E pensa que outras pessoas podem entendê-lo mesmo que ele oculte suas emoções. Jotaro não pode derreter vampiros com meros toques, mas também lembra um certo guerreiro pós-apocalíptico: sua stand, Star Platinum, é capaz de movimentos fortes, velozes e precisos, geralmente acompanhados de clássica gritaria enquanto espanca inimigos.

JosephJoseph Joestar – O herói da saga Battle Tendency não é tão fanfarrão quanto antes mas continua forte apesar da idade avançada e se veste que nem o Indiana Jones. Para combinar com a roupa e os truques com fios que fazia em sua juventude, sua stand é a Hermit Purple, que são cipós espinhosos que saem de suas mãos para chicotear gente ou manipular objetos para visualizar imagens de lugares distantes.

AvdolHUDMohammad Avdol – Um cartomante que evitou ser capturado por Dio e uniu-se a Joseph para derrotá-lo. Sua stand, Magician’s Red, controla o fogo. Ainda cedo na história, toma um headshot do inútil do Hol Horse para salvar o Polnareff, mas por razões de popularidade ele sobreviveu e voltou estilosamente alguns capítulos depois.

KakyoinHUDNoriaki Kakyoin – Controlado mentalmente por Dio, é enviado para matar Jotaro, que o salva após derrotá-lo. Kakyoin não é rude como o Jotaro, mas também é quieto e simpatiza apenas com outros usuários de stands. Participa da jornada para superar seus medos com sua stand Hierophant Green, que é capaz de disparar rajadas de cristais e invadir pessoas para controla-las.

PolnareffHUDJean Pierre Polnareff – O segundo oponente que os heróis recrutam após livrá-lo do domínio de Dio. Em referência ao filme/livro A Princesa Prometida, Polnareff procura o assassino de sua irmã para matá-lo brutalmente. Apesar de sua valentia e carinho pelos amigos, é um tanto bobão e sempre acaba caindo nas armadilhas dos vilões. Sua stand, Silver Chariot, é um espadachim veloz que usa uma rapieira.

IggyHUDIggy – Um cão que vivia tranquilamente em Nova Iorque até ser encontrado por Avdol, que com a Fundação Speedwagon o captura para ajudar com o controle sobre a areia que sua stand The Fool possui. Iggy não tem interesse na missão do grupo, mas os ajuda em troca de chicletes de café.

ShadowDioDio Brando – Acidentalmente retirado do fundo do mar um século depois de sua luta contra Jonathan Joestar, Dio fortaleceu-se e aprendeu a ser um vilão mais suave e sinistro, capaz de manipular facilmente outros para servi-lo. Ele sente a existência dos outros Jojos ao ativar sua misteriosa Stand e se prepara para matá-los, pois eles são a única ameaça à suas ambições.
JJBA-Overworld
O overworld é um sidescroller 2D, algo que eu não esperava ver num RPG. Pode-se andar para os lados e entrar por passagens quando uma seta aparece. Ao apertar o A, aparecem opções para examinar objetos ou conversar com NPCs. As áreas do jogo, incluindo as dungeons, são curtas e não há muito como se perder nelas.

No menu também há a opção “Tarot”, em que Avdol lê a sorte de um personagem para saber qual o “Lucky Item” que ele deve equipar, o que aparentemente afeta o biorritmo que determina sua condição nas lutas. Enquanto joguei não reparei muito em como se deve usar essa mecânica, mas provavelmente não é bom deixar o stat de stress dos personagens ficar alto.
JJBA-Battle
As batalhas ocorrem em locais predeterminados. Não há combates aleatórios e consequentemente não há como grindar por exp e dinheiro, exceto por uma situação próxima ao final em que se pode pagar para ficar bêbado e enfrentar alucinações, que nem rendem muita coisa.

Quando uma luta começa, o onisciente Dio aparece com 5 cartas de Tarot. É preciso escolher uma e receber algum bônus ou penalização que afeta um personagem ou todo o grupo. Entre as coisas que podem acontecer estão a recuperação ou perda de HP, alteração de stats ou aumento de stress nos personagens.

No menu de combate, a função das opções “Attack” e “Item” é óbvia. O primeiro simplesmente ataca um inimigo, sendo que essa opção fica indisponível por um turno se o stress do personagem estiver alto. O segundo permite o uso de items para recuperar HP e MP.
JJBAAnimations
“Talk” intimida o oponente e causa dano de MP. Devido a sincronização entre stands e seus usuários, perda total de MP resulta em nocaute. O problema é que nunca precisei usar esse comando e raramente vi os heróis sob o risco de ficar sem MP. Além disso, a maioria das frases usadas pelos personagens nem são críveis como táticas de intimidação. Só depois de terminar o jogo eu descobri que também é possível usar o comando nos aliados para deixá-los mais resistentes.

Como no mangá, muitos dos inimigos no jogo não podem ser derrotados normalmente. Nesse caso deve-se usar o comando “Check” para analisar a situação e encontrar a fraqueza do inimigo no turno seguinte com o comando “Idea”. A partir daí o inimigo fica vulnerável ou a batalha é interrompida. Numa ocasião o comando “Run” deve ser usado manualmente para fugir.
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O problema é que o Idea sempre aparece, mesmo nos personagens errados ou em lutas em que ele não é necessário e nesses casos sempre resulta no texto “Não pôde pensar em algo!”. Para ter mais algo a fazer após gastar um ou dois turnos com o Check, há a opção “Guts” que é simplesmente um ataque mais forte que nem usa MP e torna a opção Attack completamente inútil.

O método para vencer no jogo se resume a usar o Guts com todo mundo ou saber quando usar o Idea, contanto que os personagens não errem ataques. Em todo o jogo apenas o Dio é um oponente digno, capaz de causar centenas de pontos de dano tanto em HP quanto em MP várias vezes por turno. Apenas o Jotaro pode feri-lo e por isso deve permanecer vivo o tempo todo, enquanto os demais personagens servem como distração.

Além do dinheiro recebido nas lutas, há dois momentos em que os personagens ganham grandes quantias de dinheiro. Isso soa como o jogo admitindo que há dificuldade para comprar coisas, mas não é complicado atualizar os equipamentos dos personagens e comprar items de cura. O dinheiro extra acaba servindo para comprar items como o “Panacea” (cura todo mundo) e o “Restorative” (recupera um personagem nocauteado), que são caríssimos e SOMENTE devem ser usados na batalha final.
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Outra forma de se curar é dormindo nos prédios da Fundação Speedwagon, que também servem como Save Points. Como o Jotaro e o Joseph tem 50 dias para matar Dio, eles não podem abusar dessa opção. Isso soa tenso quando é dito no jogo, mas não há como levar um game over ou final ruim por causa disso. É possível dormir 25 vezes e não há dificuldade que torne mesmo um uso dessa mecânica necessário.

Graficamente o jogo é bonito e os personagens tem múltiplas animações de ataque, mas eles são animados de forma dura e toscamente hilária, chocalhando para dar a impressão de movimento. Quando um personagem é nocauteado ou morre, temos a ridícula visão de seu sprite deslizando até ficar só parte da cabeça na tela espiando a câmera.

Melhor é a trilha sonora composta por Noboru Yamane. A abertura-prólogo já começa com um tema memorável e as três músicas de luta são o que tornam empolgantes os simples combates. Já os efeitos sonoros não são tão bons. Transformaram o ORAORAORA do Jotaro num tosco WAWAWA e o Dio fala MUDAMUDAMUDA da forma mais monótona possível.
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Em geral, JoJo’s Bizarre Adventure não chega a ser um jogo ruim, mas é bem simples, fácil e possui mecânicas inúteis ou dispensáveis. O seu charme é que mesmo estragando algumas cenas, o enredo é tão comprimido que as coisas acontecem sem descanso, uma após a outra e constantemente estampando uma expressão de choque dos heróis antes de cada luta. Graças aos seus absurdos, o jogo mantém a curiosidade de quem o joga.

Quem já leu Stardust Crusaders deve aproveitar melhor o jogo, mas ele é curto e interessante o bastante para qualquer um com algumas horas livres jogá-lo. Repito que a tradução para jogar em emulador está no Aeon Genesis.

  1. 22 de abril de 2013 às 1:01 AM

    nossa, nem imagina que fariam uma matéria sobre o game dos Jojos. eu tenho o baixado aqui, mas está em japonês, aí dificulta as coisas, mas com o Aeon Genesis, quem sabe? e valeu pelo Post

    TEN ANUSHI TERA OH KAH!!!!

    • 22 de abril de 2013 às 3:50 AM

      Esse jogo me parecia bem ruim, mas era porque eu não entendia como jogar. Daí veio a tradução e tcharans, o jogo é legalzinho e também deve ficar mais jogável pra você.

  2. 2 de maio de 2013 às 1:50 AM

    Rapaz, quando vi dias atrás sua análise no RSS pensei: “mal traduziram o jogo e você já o terminou?” Impressionou-me. Você é que jogou bastante ou ele é curto?

    Estou lendo o mangá e ainda falta muito para chegar no ponto da história que é contada no jogo, mas pretendo chegar aí. Dependendo do tempo, darei uma chance a este jogo. Gostei bastante de sua análise! Conseguiu descrever de maneira concisa os pontos-chave do jogo.

    • 2 de maio de 2013 às 2:22 AM

      Como o jogo resume bastante o enredo e não é difícil, dá pra terminá-lo em poucas horas. E obrigado pelo elogio. Eu acredito que não verei esta resenha com remorso no futuro. O texto ficou bom e nem demorei muito para escrevê-lo!

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