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(Review – Game Boy) Kaeru no Tame ni Kane wa Naru

Título: Kaeru no Tame ni Kane wa Naru (Para o Sapo o Sino Dobra)
Console: Game Boy
Produzido por: Nintendo R&D1 e Intelligent Systems
Lançado em: 04/09/1992


>>Introdução>>>>>
Há tempos imemoriais eu estava olhando uma wiki da parte /v/ da 4chan que conta sobre os bons jogos de todos os consoles, tanto os populares quanto os obscuros. Na área do Game Boy eu descobri Kaeru no Tame ni Kane wa Naru, o predecessor espiritual de Link’s Awakening (dizem que a engine é a mesma) que prova que a Nintendo tem se recusado a localizar jogos bacanas por nenhum motivo aparente desde sempre mesmo. Também lí que haviam planos de criar um port para o Game Boy Color que foram frustrados pelo lançamento do Game Boy Advance.

Felizmente, o jogo despertou interesse suficiente dos retrogamers para que um ser chamado ryanbgstl o traduzisse. O patch para a rom foi lançado há pouco tempo, após 3 anos de trabalho.

>>Enredo>>>>>
O jogo trata da história de dois príncipes amigos e rivais: o rico Príncipe de Sable (que como o da Pérsia, “não tem nome”… mas apesar disso e de ser um personagem da Nintendo, ELE TEM VOZ) e o astuto príncipe de Custard, Richard.

Depois de vencer mais um duelo contra seu colega, Richard fica sabendo que o reino de Mille-Feuille está sendo atacado pelo exército do Rei Delarin. Richard vê nisso a oportunidade de salvar a princesa Tiramisu e casar-se com ela. Então ele se manda com seus soldados e deixa o outro principe a ver navios.

O outro príncipe, que é o protagonista e que por conveniência chamarei de “Sableriano”, não fica parado e imediatamente compra um navio para poder participar dessa jornada. Em Mille-Feuille, ele descobre que a princesa desapareceu e acaba sendo transformado em sapo por uma bruxa que quer que ele invada o castelo de Delarin nessa forma e fique escondido lá com outras pessoas transformadas até a Primavera, que é quando o badalar de um sino irá desfazer o feitiço.

O Reino de Mille-Feuille


E ai está o porque do título… fora a referência a novela literária Por Quem os Sinos Dobram escrita por Ernest Hemingway (há também um filme baseado no livro e uma música da banda Metallica inspirada no mesmo). O livro trata de guerra civil e o jogo não tem nada mesmo à ver com ele. Os eventos do game tem aquele jeito cômico e absurdo que vemos na maioria das séries da Nintendo, mas sem reviravoltas deprimentes ou abominações ciclópicas ou indescritíveis para chocar no final.

>>Sobre o Jogo>>>>>
Kaeru no Blá Blá Blá é dividido em dois estilos. No overworld a jogabilidade é semelhante a da série Zelda. O Sableriano deve explorar e conversar com NPCs para saber aonde ir, derrotar ou evitar inimigos e resolver puzzles simples.

Conforme avança na história, o Sableriano tem acesso a novas áreas do castelo de Delarin e outras dungeons. Nessas áreas o jogo ganha aspectos de jogos de plataforma, com câmera lateral e várias gimmicks e armadilhas a serem vistas.

O jogo tem um simples e curioso sistema de combate. Quando entra em contato com um inimigo, o príncipe luta automaticamente dentro de uma cartunesca nuvem de poeira. Enquanto “vê” os personagens trocando tapas, o jogador pode apenas apertar B para recuar e usar algum item (necessário em dois momentos do jogo) ou tentar fugir.

Inimigos fracos serão simplesmente jogados para o espaço quando tocados, mas existem aqueles que, a princípio, o príncipe não será nem mesmo capaz de arranhar. É preciso usar alguma estratégia e furtividade para evitar lutas desnecessárias, comprar escudos e encontrar espadas e upgrades escondidos para poder vencer esses desafios. E mesmo assim o Sableriano derrotará esses “chefes” com apenas uma fração de HP sobrando.

A principal mecânica do jogo é a habilidade do príncipe de se transformar em sapo ou em cobra para fazer coisas que não poderia normalmente.

Após certo evento o príncipe pode se transformar em sapo ao mergulhar em água. Nessa forma ele pode ficar de baixo da água sem perder energia, pular alto, recuperar energia comendo instantaneamente inimigos do tipo inseto e ser ignorado polos soldados de Delarin. O ruim é que como sapo o príncipe é presa fácil para os outros tipos de inimigos, especialmente as cobras.

Na forma de cobra, ativada ao comer ovos, o príncipe pode passar por passagens estreitas, transformar inimigos fracos em blocos (paralisando-os com veneno) e assustar sapos estúpidos que bloqueiam certos caminhos. A transformação de cobra é pouco efetiva em combate e incapaz de pular.

As duas formas são usadas com frequência nas fases e puzzles sem desmerecer a forma humana que é a única capaz de apanhar moedas, empurrar blocos, usar a serra, a picareta e lutar.

Efeito de destransformação e a transição entre gameplay e pausa.


A parte técnica do jogo não deixa a desejar. Os backgrounds são detalhados com boas texturas e sombras, os sprites, incluindo água, são bem animados. Há também um efeito de distorção usado em certos eventos ou quando uma fruta é usada para transformar o príncipe.

A trilha sonora também é boa. A princípio, a música da tela-título me deixou com uma impressão ruim (é meio escandalosa, mas da pra se acostumar), mas o resto foi muito agradável. O tema de overworld é bonito, o do castelo do Delarin e o dos chefes são tensos. …E o tema da batalha final...

A espada nem tá cravada no chão...


A dificuldade do jogo em geral é baixa. Se o HP do Sableriano é zerado, ele é levado ao hospital da última cidade visitada e não perde dinheiro. A parte em que o príncipe deve convencer um mineiro a trabalhar para ele e a outra parte em que ele deve controlar a mente de um mamute agora são simples de se entender já que a barreira de linguagem pode ser mais-ou-menos removida.

>>Conclusão>>>>>
Kaeru no Tame ni Kane wa Naru tem uma duração modesta e pode ser terminado rapidamente, mas é muito bem construído. O level design é ótimo e há vários momentos interessantes em sua história. A batalha contra Delarin é uma das mais empolgantes que já ví.

Sim, eu acabei de escrever que a batalha final de um jogo que dá pouquíssima interatividade em suas batalhas é uma das mais empolgantes que já ví. Joguem e verão, pois agora que o patch de tradução está disponível, o povo não tem muito porque não jogar esta pérola pouco popular da Nintendo que é um dos grandes jogos do Game Boy. E espero que coloquem ele no Virtual Console do 3DS no futuro.

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