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Post 200: The Lucky Dime Caper

Título: The Lucky Dime Caper
Console: Master System e Game Gear
Produtora: Sega
Lançado em: 1991


Na época do NES e do Master System, a Nintendo tinha um contrato de exclusividade com suas third-parties que complicava a vida do Master System que não tinha muito como competir com os Castlevanias e Mega Mans de seu adversário.

Pelo menos a Sega era uma ótima produtora de jogos na época e um exemplo é a qualidade de seus jogos licenciados da Disney. O Castle e o Land of Illusion foram muito melhores do que o Mousecapade do NES, por exemplo.

E sabiam que o NES tem um jogo do Pato Donald?


É tão mixuruca quanto parece.

Para verdadeiramente fazer justiça a fodacidade de Donald, a Sega criou The Lucky Dime Caper para o Master System e Game Gear em 1991.

Creio que conheci esse jogo por volta de 1994 no Mappin, quando meu pai comprou o adaptador de Master System para meu Mega Drive.

De lá pra cá eu só tive uns 5 jogos para o console. Mesmo considerando os outros que aluguei naquela locadora de Osasco cujo nome não me lembro, The Lucky Dime Caper era o melhor deles.

E quanto mais jogos de Master eu jogo, mais certeza tenho de que ele é ponto alto de sua gameteca.


Não, Gagá, eu não curto muito RPGs.


Pra começar, olhem a capa do jogo. Até hoje eu não mostrei capa de jogo em nenhum review do blog pois nunca me importei, mas seria uma desgraça se eu não mostrasse ISTO:

O que MacPatos o artista estava pensando quando desenhou essa capa? Em instantes esse urso se transformará em tapete… Não… Ele já é um tapete. Quantas lojas explodiram, quantos moleques ganharam barba, quantas garotas se engravidaram ao presenciar essa imagem?! O poder, a testosterona emanada pelo marinheiro com a marreta é comparável a de uma ou outra página de Hokuto no Ken!

Eu nunca mais pude ver o Donald como alguém inofensivo depois de ver essa capa.

Sério:

A Sega parece ter investido bastente em marketing para o jogo, ainda que eu não tenha encontrado muito a respeito. Digo isso porque eu descobri há pouco tempo que ele teve uma edição de colecionador:

Essa caixa contém o cartucho com capa, uma fita com músicas dos filmes da Disney…

E uma camiseta. Uma camiseta. Uma… Haha… Camiseta com uma das capas mais fodas do mundo estampada nela.

Ainda bem que eu nunca passei por perto disso. Eu não era e não sou digno de possuir tal relíquia. =/

Mais uma coisa: The Lucky Dime Caper é a contraparte de Quackshot, jogo do Mega Drive em que Donald, inspirando-se em Indiana Jones, viaja pelo mundo em busca de um tesouro. A Sega resolveu percorrer a milha extra nessa ocasião e ao invés de apenas modificar o level design e parte do sistema de jogo como em Castle of Illusion, criou um jogo inteiramente novo e tão bom quanto para o Master System.

A Sega era foda.

>>Sobre o jogo>>>>>
E agora, o jogo em sí. The Lucky Dime Caper começa com o curiosamente generoso (por propósitos educativos) Tio Patinhas dando presentes a Huguinho, Zezinho e Luizinho. Esses presentes são 3 moedas de 10 centavos. Ignorando os risos de seu sobrinho, o quaquilhonário os lembra de que foi a partir de sua moeda número 1 que ele construiu sua fortuna – eles também podem enriquecer se esforçarem-se.

O que eles não sabiam é que a Maga Patológica estava espionando-os mais uma vez. Quando Patinhas se despede de seus sobrinhos, HZeL são sequestrados por corvos e a Maga desce um LOSANGO ABERTO INVERTIDO (tá bom, nem TANTO: foi “só” uma cotovelada) no Patinhas e desaparece com a Número 1!

Donald arregaça as mangas para varrer o mundo em busca de seus sobrinhos, mas não poderia se importar menos pelas moedas, o que força o Tio Patinhas a prometer-lhe uma recompensa que o surpreenderá no fim do jogo.

O único problema de jogabilidade em LDC é que a velocidade lateral de Donald diminui quando ele se equilibra nas beiradas das plataformas (ou quando muda de direção no ar). É algo realista, mas que atrapalha em sequências que exigem vários pulos precisos por plataformas pequenas. O impulso dos saltos de Donald também (quase) não pode ser controlado.

Estranho ver esses problemas aqui se no Castle e Land of Illusion eles não existem, mas fora isso a jogabilidade é simples e geralmente confortável. Além disso, segue numa direção diferente da dos jogos do Mickey. Donald pode pular sobre inimigos para destruí-los, mas é certamente mais satisfatório espancá-los com as duas armas que ele pode usar:

"Se você for a Bahia, meu amigo, você nunca vai voltar!"


A arma padrão de Donald é um Martelo que acerta inimigos próximos a ele, mesmo que estejam vindo de cima ou logo atrás dele. O Martelo é forte e esmaga chefes em poucas pancadas. Quando bem-usado, dá pra sair cortando tudo pelas fases como se fosse o Sonic com seu Spin Jump.

O predecessor do disco de Donald.


O Disco é a outra arma de Donald, que ele pode atirar a sua frente ou para cima. Apesar do “startup” longo, o Disco é muito útil contra inimigos normais, especialmente contra aqueles perigosos de se enfrentar com pulos ou o martelo como as estátuas que cospem fogo e os escorpiões, mas leva mais acertos para derrotar os chefes.

As armas representam parte da energia de Donald. Se ele for ferido fica desarmado e o próximo descuido o nocauteará. Se a arma for perdida, é melhor dedicar algum tempo para matar inimigos até que uma nova apareça.

Sim, os inimigos dropam coisas. A cada 2 inimigos derrubados, aparecerão um dos items abaixo:

-A Estrela é o item mais comum. Quanto mais estrelas o Donald tiver, mais rápido poderá atacar com suas armas – isso se ele tiver até 4 estrelas. A quinta o fará invencível por alguns segundos, resetando o contador de estrelas.
-O Martelo e o Disco aparecem raramente, a não ser que Donald esteja desarmado.
Jóias valem pontos e o diamante vale mais. A não ser que esteja jogando para marcar pontos, esses items são inúteis e uma perda de tempo.
-O item com o rosto do Donald… Adivinha. Esse aparece raramente, mas nem tanto quanto o martelo ou o disco.

O jogo tem 7 fases espalhadas pelo mundo e é dividido em 3 partes: 3 fases para salvar os sobrinhos, 3 fases para recuperar suas moedas e mais uma para ir de encontro a Maga Patológica e a Número 1. As fases de cada grupo podem ser jogadas em qualquer ordem (o que é semelhante a Quackshot).

QUAAAAAAAAAQUAQUAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH!!!


Eu não tenho como não elogiar o level design desse jogo. Em qualquer jogo de plataforma as fases tem que obstáculos e objetos interativos distintos para torna-las únicas e memoráveis e em LDC isso é feito com excelência.

O Disco não é útil aqui pois apenas uma pequena parte de cada bloco é vulnerável. O melhor é esperar o momento certo pra se jogar em cima da barreira.


Isso é exatamente o que parece ser, só que bem menos cruel. O que não dá pra entender é como podem haver blocos de gelo no meio do vulcão...


Mesmo a fase das Florestas do Norte tem tanto conteúdo quanto as demais apesar de não durar nem 3 minutos. Quase que não há gimmicks que se repitam em duas fases diferentes (só a chave me vem a memória) e cada fase tem grupos de inimígos únicos (exceto o morcego). Inimigos esses que podem até usar movimentos aleatórios ou desviar dos ataques de Donald.

NANTO GOKUTO KEN! HOKUTO HIEI KEN!


Os chefes não são muito complexos e alguns capotam rapidamente após algumas marteladas. Mas é bom chegar armado até eles, senão mesmo o urso da capa passa a representar grande perigo.

Infelizmente, o chefe mais fácil do jogo é a Maga Patológica (na verdade, uma bola de cristal), que usa o poder da Número 1 (Don Rosa discordaria disso) para invocar raios e bombas. A “luta” acaba em instantes se Donald chegar lá com o martelo, o que é muito anticlimático, ainda mais porque o castelo da Maga representa um grande salto de dificuldade no jogo.

Donald fugindo de peixes-espada na rota inferior do Pólo Sul.


E na rota superior, descobrimos de onde vem os yetis.


Sobre os gráficos do jogo… Ora, vejam só os screenshots. O jogo é belo e colorido. Os tiles de terreno com grama e o fundo das cavernas são reusados com paleta diferente em ao menos 3 fases, mas não é algo tão perceptivel ou deplorável. Pelo menos nem tanto quanto o que ocorre entre a Hill Top e a Emerald Hill em Sonic 2.

Legal é a ótima e muito carismática animação dos sprites do Pato Donald, como por exemplo o jeito alegremente rebolante dele andar, os vários frames da animação de ataque com o martelo ou o disco e as coisas que ele faz ao ficar parado. Normalmente ele larga o sorriso e bate o pé no chão enquanto olha para nós (como o outro cara), mas no Pólo Norte ele treme de frio e quando próximo a um vulcão, o pato demonstra que um ventilador lhe seria muito útil.

Donald quer ser o Cara.


Depois de gráficos, devo escrever sobre trilha sonora (foi o que aprendi lendo os reviews do Sr. Breder). E a trilha sonora de LDC, apesar das composições curtas, é muito bacana e marcante, principalmente o tema do castelo da Maga Patológica.

Curiosamente, as fases Grande Floresta Americana e Pólo Norte usam a mesma música. O incrível é que ela cai como uma luva em ambas. Há uma música cortada do jogo que dizem que pertence ao Pólo Norte, mas… Foi bom que não tenha sido usada.

Infelizmente, de novo, a música que eu menos gosto em todo o jogo é justamente a que toca na batalha final do jogo, que me parece uma baita confusão musical e não chega perto da qualidade da música dos outros chefes.

A dificuldade de LDC é alta por causa do sistema de energia do jogo, mas é possível terminar o jogo sem problemas se tiver cuidado. Vale lembrar que os continues são infinitos.

>>A versão do Game Gear>>>>>
Quando o jogo foi portado para o portátil engulidor de pilhas da Sega, o Game Gear, várias mudanças foram feitas.

Mas antes, vejam só a capa que usaram no Japão:

Como de costume, a capa japonesa é mais alegre que a americana. E neste caso isso é algo ruim, mas também gosto da idéia de essa capa passa: você mal ligou o jogo e o Donald já tem a Maga na palma da mão. Não tenho como esperar menos do sobrinho do equivalente a Chuck Norris de seu mundo.

A primeira diferença que se nota na versão de Game Gear é que fuçaram na abertura. Nesta versão, a abertura e o final são feitos com ilustrações em pixelart e não com “coreografia de sprites”.

O problema aqui é que não dá pra ver a Maga espiando atrás da janela.


Detesto ter de dizer isto, mas o Donald parece o Edward Cullen nessa imagem. "OH!"


…Só que a situação se inverte nas demais cutscenes:

Versão Master na esquerda e Gear na direita.


O enredo também faz uma alteração na caracterização do Donald: ele, estranhamente bonzinho, não reclama quando Patinhas manda ele ir atrás das moedas. Por isso no fim do jogo, Patinhas, ainda mais bonzinho, o recompensa por vontade própria.

Detestei essa versão "pillow shading" - e sem música - do mapa.


O sistema de energia de Donald é diferente aqui e facilita um pouco: as estrelas agora são HP e Donald nunca fica desarmado. Donald pode ter até 3 estrelas (4 HP) e elas ainda aumentam a velocidade de seus ataques. O problema dessa modificação é que a probabilidade do Disco aparecer nunca aumenta e por isso dificilmente aparecerá a não ser que vocês procurem numa das câmaras de tesouro da fase da pirâmide.

Vidas e estrelas aparecem soltas dos inimigos na versão Game Gear.


A camera desta versão foca no que há a frente de Donald e ajuda a evitar problemas na tela pequena do GG, mas agora ela é que nem no Super Mario Bros. e não há como voltar para trás, o que explica a remoção de algumas partes do jogo.

Nesta versão, este chefe é bugado. Não tente acertá-lo com pulos.


Sim, eu escrevi “remoção”. O level design das fases é mais curto ou menos variado, infelizmente, pois várias gimmicks foram removidas. Só o Pólo Norte e o Castelo da Maga escaparam mais ou menos intactos. Apesar disso, há certa graça em jogar as fases desta versão pois o que sobrou do level design é significantemente diferente da versão original.

O padrão diferente das pedras pode até surpreender um pouco, mas essa estátua ainda é presa fácil para o Martelo.


Dois chefes foram modificados nesta versão. O primeiro é a estátua na fase dos Andes, que agora é uma só, com ataques levemente diferentes. O segundo é a Maga Patológica, onde a mesa onde fica a bola de cristal com a Número 1 foi esticada:

E agora sim essa luta tem jeito de batalha final.

>>Protótipo da versão Master System>>>>>
Normalmente eu estaria terminando o texto agora, mas, vocês gostam de protótipos? Eu gosto de protótipos! E LDC tem um protótipo que eu só descobri em tempos recentes apesar dele estar disponível desde 2006.

Vejamos as diferenças entre o beta e o produto final.

Há diferenças no diálogo da abertura. Aqui o Donald tem medo de ir salvar os sobrinhos e só o faz por causa da recompensa que o Patinhas o oferece.

Abençoado seja quem mudou o diálogo.

Sobre outras diferenças gerais, a jogabilidade ainda não está calibrada e é muito difícil acertar qualquer coisa com o martelo de Donald. Também não há nenhuma música ou som prontos e não dá para pausar o game.

As estrelas aumentam a velocidade dos ataques de Donald, mas não há invencibilidade. Ao invés de jóias, os inimigos podem dropar items comestíveis como Laranjas e Chocolates.

A única fase disponível normalmente é a das Florestas do Norte, que vai até o fim e já tem o Urso pronto pra briga.

A fase tem um level design muito diferente e os cipós não funcionam. Há um cogumelo vermelho que explode ao se aproximar de Donald e os castores aparecem em pé quando saem de suas tocas.

O Urso se movimenta de forma diferente aqui, pulando constantemente. Quando atira coisas em Donald, os projéteis vão em linha reta e são fáceis de desviar.

Ao derrotar o Urso ou morrer (notem que nessa fase Donald tem HP infinito), somos mandados de volta a tela título, mas outras 4 fases podem ser jogadas neste protótipo se usarmos códigos de Action Replay.

Fase – 00C038:xx (onde xx é um número de 00 a 04)
Ato – 00C039:xx (Depende da fase, já que a A1 tem um ato e a A2 tem quatro, por exemplo.)

Ao contrário da primeira fase, o resto já está com level design próximo da versão final. Muitos inimigos e gimmicks delas, porém, não foram implementados e bugs e partes sem saida impedem que tudo possa ser explorado normalmente:

Fase Beta A2 – Grande Floresta Americana

Nesta fase, revelações! A cobra e o pássaro azul que enfrentamos na versão final eram sapos e falcões! Agora tudo faz sentido!

Boa parte da fase já está pronta, com exceção do movimento aquático de Donald no ato 2 e o chefe, que não aparece.

Fase Beta A3 – As Montanhas dos Andes

Fase com inimigos já prontos e tiles misturados com aqueles da ladeira. Falando nela, quando acaba perdemos o controle do Donald e ele para no meio do caminho até o final da tela. Mas é possível evitar isso: aparecem pássaros do nada nesse momento e dá para pegar impulso lateral quicando neles.

Do segundo ato não dá pra ver muita coisa, porque o jogo parece estar programado para sempre ativar a ladeira quando Donald chega em certa posição X. A armadilha de blocos azuis existe neste beta, mas as barreiras não.

Botando um código para ver o terceiro ato, dá pra chegar até os chefes, que estão lá mas não funcionam: a ladeira aparece de novo e nos manda até a gaiola onde Huguinho deveria estar preso. Mas como ele não está lá, nada acontece e só nos resta resetar o game.

Fase Beta B1 – As Ilhas Tropicais

Fase também em estado avançado, com vários obstáculos já prontos. Pena que não deu pra ver tudo pois certos atos começam com o Donald dentro de uma parede e eu não sei como alterar as coordenadas do pato. Há um inimigo cortado na primeira parte da fase que é uma face de pedra que cospe fogo, tal como as outras que aparecem nas câmaras verticais da mesma fase.

Fase Beta B2 – As Pirâmides

Apesar do level design “quase” pronto, quase nada funciona nesta fase. Areia movediça, lançadores de flechas e portas já existem, mas não fazem nada.

>>Conclusão>>>>>
Enfim, se eu penso em passar tempo jogando algo hoje em dia, geralmente jogo The Lucky Dime Caper. O jogo não dura mais do que meia hora, mas o que eu disse sobre a fase A1 ser divertida apesar de sua curta duração também vale para o jogo como um todo.

Teria sido interessante ver o que Donald fez com sua moeda.


LDC é um dos jogos mais fodas da época em que jogos baseados em desenhos eram clássicos de seus consoles e é uma escolha fácil para um Top 10 do Master System.

Se vocês ainda não jogaram, pelo menos dêem uma olhada.

…Senão:

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